Air Guitar

Don't take life too seriously, you will never get out alive 

Jogar Bingo

tenho uma lista mental.

daquelas com três colunas, uma para o nome, duas para os apoios pedidos e recebidos por ordem respectiva. Apoio aqui pode ser algo que vai do "estar lá" para ouvir uma conversa interminável e dar o conselho necessário, como deixar para trás as minhas prioridades pelas dos outros, mesmo que seja algo pequeno.

No fundo é uma lista de Karma, para eu perceber em que casos dou mais do que aquilo que recebo.

E tenho excelentes noticias! Agora que o facebook está na moda, posso fazer uns cartões de bingo! Sempre que alguém ficar com um saldo negativo de ... va lá ... 7 para 1 ou coisa que o valha marco no cartão.

É perfeito, assim não me vou aborrecer nem chatear. Quem ficar com saldo negativo passa a ser bola fora e deixa simplesmente de contar.

E aqui entre nós, já fiz linha!

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I Can't take this shit anymore!

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Revelações

- Então qual é a história deste?

- O problema é que não há história. Foi encontrado pela polícia num beco, quase em overdose de anfetaminas e sabe-deus-o-quê. Nas urgências foi de tal forma violento que o tiveram de o amarrar à cama. Quando aqui chegou tivemos de lhe dar sedativos para o controlar.

- Familia?

- não tem ninguém no mundo, que se saiba. Não tinha documentos mas já estamos a descobrir onde mora e a descobrir qual é afinal o nome dele.

- Estou para ver o que o Dr. José Costa diz... Não pode cá ficar mas também não o podemos mandar embora.

Quando o corpo ja está habituado a medicamentos e a psicotrópicos, até os sedativos perdem o efeito mais depressa. Felizmente é um processo gradual,e tudo acontece em fases que são quase estanques. Desperta-se, sente-se que não há luz, ouve-se o que se passa em redor,  ganha-se a noção de ter os olhos fechados, as palpebras abrem-se a custo apenas para reagir ao excesso de luz.

- Que se passa aqui?

- tenha calma, estamos a cuidar de si. Como se sente? Sabe onde está?

- Estou amarrado a uma cama! Que merda é esta?

- Tivemos de o fazer para sua própria segurança. Qual é a última coisa que se lembra?

- De estar em casa. "quem é este para querer saber da minha vida?"

- Não se lembra do que se passou depois?

- Não e tirem-me as cordas porra! "onde raio estou afinal? num hospital?"

- Não se alarme, mas neste momento está num centro psiquiátrico. Trouxeram-no aqui depois de ter dado entrada nas urgências. Estava muito irrequieto e fomos forçados a sedá-lo. Se se sentir melhor eu tiro as amarras.

Não passou um segundo entre soltar as duas mãos e arremessar o médico contra a parede. No instante seguinte, o auxiliar imobilizou-o, o médico saiu com a mão sobre a boca e o nariz enquanto o paciente foi deixado sozinho, num quarto com uma cama, uma janela e uma mancha de sangue na parede.

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Dumas

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Discos Pedidos, Wyclef Jean e os Pink FLoyd

Wish You Were Here by Wyclef Jean  
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sobre coisas invisíveis

Segunda parte da história

O problema nunca é dormir mal, é saber que o sono chega sempre com o raiar do Sol. O Pedro chega ao trabalho depois da rotina matinal atribulada senta-se finalmente para começar a trabalhar.

Trabalhar acalmava-o, entrava num ritmo constante e as tarefas tornavam-se mecânicas. Conseguia finalmente pensar.

O escritório onde ficava não tinha qualquer decoração além da que estava no dia em que chegou. Tinha sempre a mesa devidamente arrumada, com os documentos organizados por prioridade e seguindo um esquema próprio de organização. Atrás da cadeira, um armário tinha várias prateleiras de dossiers vermelhos com as respectivas etiquetas impressas e coladas meticulosamente.

Na hora de almoço sai e dirige-se ao restaurante de sempre, onde já o conhecem e onde já não pede a lista. Senta-se, almoça e regressa ao escritório. Não bebe café por não gostar de qualquer tipo de estimulante, não fica para conversar com os colegas nos corredores, limita-se a ir directo à secretária e senta-se para retomar o trabalho.

Mas o cansaço é demais.

O que supostamente seriam dois segundos de olhos fechados transformaram-se em horas. Acordou ainda sentado e com dores no estômago e uma enxaqueca. Não era uma situação completamente incomum, tinha sempre um digestivo pronto numa das gavetas para estas ocasiões.

A única solução era aguentar o resto do dia e chamar um taxi para evitar a caminhada até casa. Ao telefonar olha em redor "afinal o dia foi produtivo, não pensei ter despachado tanto serviço durante a manhã...".

Quando finalmente chega a casa, acabada de arrumar pela empregada, só tem forças para se sentar na sala depois de encomendar o jantar.

No dia seguinte já se sentia melhor, era sábado. Sábado é o dia de ajudar a associação de apoio social do bairro. Entre fazer a contabilidade e apoiar as iniciativas sempre ia tendo contacto com algumas pessoas em quem confiava.

Um deles era o Miguel. Desempregado há vários meses, ganhava a vida procurando biscates e a trabalhar nas poucas construções que se faziam pela zona. Sendo alguém que tinha passado por tanto era de admirar que estivesse sempre de bom humor. Quando o Pedro ia almoçar depois de ajudar na associação, era costume jogarem às cartas.

Para eles era bastante agradável passar uma tarde assim, no meio de conversa e de cartas. Enquanto partilhava o relato da semana, o Pedro olha para os três reis que tinha na mão.

— Pedro, que andavas a fazer há dois dias no bairro do Cruz?

— No bairro do Cruz? Não era eu de certeza. Dá-me duas cartas e subo.

— Eras sim! Estava escuro mas eras de certeza tu. Pago para ver.

— Escuro?! Tenho ficado as noites em casa, acho que estou meio doente porque no dia seguinte acordo indisposto. Toma um par de 10 e quero ver melhor.

— Duas senhoras! Podia jurar que eras tu, mas tudo bem se calhar era alguém parecido. Tenta é ver se não adoeces ou eu fico sem companhia para jogar às cartas.

— Ando a ficar velho pá. No outro dia adormeci no escritório e tudo; por sorte ninguém entrou.

— Vê lá isso então que nunca te vi assim. Além disso trabalhas demais.

Quando ao final da tarde o Miguel se despediu, o Pedro deixou-se ficar na mesa da tasca a beber ginginha e a anotar as tarefas da semana seguinte num caderno. Era de tal forma meticuloso que depois de escrever não relia, ficava tudo na memória. Enquanto estruturava a semana, o dia fugiu sem que ele tivesse noção das horas.

Voltou para casa a pé e um pouco mais satisfeito. A escola estava prestes a começar e com o dinheiro que tinha perdido, o filho do Miguel ia poder ter os livros e o material escolar de que precisa.

Ao chegar ao prédio, a porta do átrio abriu-se de repente. Teve escassos segundos para se desviar e ver passar um tufo de cabelo ruivo.

— "mas que raio?..."

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pq às vezes é importante

no meio de Lisboa, sob um céu de nuvens rasgadas com vista sobre
Alfama a ouvir um DJ que não nos diz nada e com um copo de vodka na
mão.

não é propriamente um momento para grandes diálogos, mas pode ser a
oportunidade para ouvir algo importante.

e mesmo que não concorde que a minha influência tenha sido assim tão
importante, é bom ouvir dizer que tivemos um impacto positivo na vida
de alguém.

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pensamento para sexta feira

dado que a piolha não se chega à frente com o regresso da minha rubrica favorita, optei por um spin-off

"as mulheres nunca são infantis, estão mais ligadas ao seu lado sentimental e por isso é normal que sejam 'emotivas' ..."

fico à espera das vossas reacções inflamadas para explicar a lógica :P

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puzzles

Alguns puzzles são viciantes. Mostrem-me um problema de web e vou passar uma série de tempo a trabalhar nele até encontrar uma solução que faça sentido e seja original.

Mas as pessoas são os puzzles mais difíceis.

Nem sempre é possível simplesmente parar de usar meias palavras e rodeios e entrar em diálogo directo e sincero.

Mas há outra solução?

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e se ..

eu caisse num daqueles vórtices temporais que nos levam à idade média?

Por mim tudo bem, com o que me lembro das aulas de fisico-quimica e de educação tecnológica aposto que ia ser um estrondo! Seriously...

E se fosse parar à altura em que os Filipe de Espanha governaram portugal, aposto com vocês que não iam aguentar-nos por seis meses, quanto mais 3 gerações.

Mas por agora vou deixar-me de delirios e voltar à tese...

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