Air Guitar

Don't take life too seriously, you will never get out alive 

Só tens até dia 18 de Fevereiro para inscrever a tua Air Band!

hui ... alguém se atreve a sugerir membros e a propor repertório? Terá de incluir uma música dos Barenaked Ladies :P


Olá AirGuitar!

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vidas intermitentes

(Se ainda não leram o resto, vão ler. Este é o capítulo final)

— O meu nome é José Costa, disseram-me que está aqui um dos nossos pacientes.

O agente ouviou-o e ao compreender o que se passava guiou-o pelos corredores, altura em que chegaram às celas. Numa delas, estava um homem sentado, sozinho e a usar um uniforme de auxiliar num hospital. Tinha os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos juntas a apoiar a o queixo. Manteve-se imóvel até que o agente abriu a cela.

— Bom dia Doutor.

— Bom dia, como está?

— Estou bem, contaram-lhe que ninguém se feriu desta vez?

— Sim, os agentes encontraram-no no escritorio e trouxeram-no sem sequer precisar de o algemar. Fico contente por saber isso. Mas não percebi porque é que fugiu.

— Eu não fugi doutor.

— Contem-me o que se passou então.

— Caí em mim quando estava no hall da entrada, não sei porquê. Nessa altura eu lembrei-me de todas as nossas conversas e achei que, já que estava fora, ia aproveitar para tirar tudo a limpo. Procurei nos bolsos e encontrei 20 euros, o suficiente para apanhar um taxi e seguir para o escritório.

— Encontrou lá as suas respostas?

— Sentei-me e fiquei a tentar perceber como eu funciono. Sou muito metódico doutor, não deixo nada fora do sítio, sei sempre onde estão os documentos que preciso e todo o meu sistema de trabalho funciona graças a um scanner e a um computador. Não preciso de mais nada. Então comecei a pensar, o que estava a mais naquela sala? Nunca tinha usado o armário e tudo o que precisava de guardar cabia na primeira gaveta. A última gaveta estava fechada, sempre esteve. Consegui arrancar a fechadura e encontrar uma série de coisas que nunca tinha visto na vida. Preservativos, chaves, minis, facturas ... eu sei lá.

— Imagino que o tenha deixado perturbado mas

— Mas nada! Quem me dera a mim ter visto apenas isto.

— Havia mais alguma coisa na gaveta?

— Na gaveta não, mas no armário sim. Não sei porquê mas nunca estranhei que no meu escritório houvesse um armário cheio de dossiers, nunca os uso mas nunca me fez impressão. Mas eram só fachada, foram cortados para restar apenas a lombada e as prateleiras estavam cheias de garrafas de vodka, whisky e uma série de outras bebidas. Mais atrás, encontrei um saco de comprimidos, a policia diz que são anfetaminas, LSD, e toda uma série de outras drogas que eu nem conhecia!

— João tenha calma, eu entendo qu

— CALE-SE CARALHO!

O agente que estava à porta não esperou que a situação escalasse, entrou, controlou o prisioneiro e ordenou ao médico que saísse. O Doutor José Costa insistiu em ficar, o prisioneiro acalmou-se e a conversa prosseguiu com o agente já dentro da cela, pronto a intervir.

De regresso ao Hospital, sentou-se no refeitório com alguns colegas mais novos. 

— JC ! Há uns tempos que não te via!

— Tomás, vejo que já tiraste o penso.

— O nosso amigo “só” me partiu a cana do nariz, felizmente está a sarar bem. Já sabes o que se passa com ele?

— Sei ...

— E então?

— Não é bipolar como pensavas, é mais do que isso. Chama-se João Pedro e tem vivido sozinho há vários anos. Não tem mesmo família, o que fez com que o problema dele agravasse. Contou-me toda a sua rotina, tem uma memória fotográfica mas ele próprio não se apercebia de que relatava coisas com horas e mesmo dias inteiros em falta. E foi por causa da rotina constante que a personalidade mais violenta conseguiu submergir e fazer tudo o que quis. O mais violento dá pelo nome de João, enquanto que a personalidade dominante, aquela que é mais pacifica e metódica, é o “Pedro”.

— Mas como é possível que ele não tenha dado por nada? Podia ter notado que algo não estava bem no escritorio, que a casa não estava como ele a deixou na noite anterior, essas coisas.

— Aí é que está... A rotina dele era muito certa e feita para que ele pudesse fazer tudo sem se preocupar com nada. Enquanto ele ia trabalhar, a mulher a dias arrumava a casa, pelo que percebi por vezes isso levava-lhe o dia inteiro de tal era a confusão.

— Restos da “festa” do dia anterior?

— E que festas, falei com ela ao telefone e contou-me que uma vez chegou lá para encontrar vasos e móveis pelo chão e nas palavras dela “uma ‘menina’ dessas que andam na rua a desgraçar-se”. Estava na sala, inconsciente depois de um serão passado a beber whisky e a inalar cocaína.

— E ela não o chamou à atenção?

— É a história que já conhecemos: senhora de idade, acha que não deve meter-se na vida do patrão que até a trata tão bem... pois trata, ela só conheceu o “Pedro”. Fora desta rotina, o João Pedro sofria algumas indisposições e blackouts, resultado do consumo de estupefacientes e de ter o “João” a querer manifestar-se. Já tinha falado com ele sobre algumas destas coisas, para ver como ele reagia, devo ter ido longe de mais porque ele percebeu. A fuga desta noite foi um acto conjunto, o “Pedro” queria ter a certeza de que não estava a perder o juízo, o “João” queria sair daqui.

— Parece cena de filme... vamos tê-lo como hospede bastante tempo então.

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A fuga

Num corredor envolto em penumbra, o auxiliar passava pelo corredor espiando os quartos um por um. Todos estavam calmos. Especialmente o quarto onde o paciente teve de ser restringido. Na altura foram precisas quatro pessoas para o controlar, entre socos e dentadas duas ficaram feridas.

Quando o auxiliar finalmente se afastou ele ergueu a cabeça, estava calmo mas os olhos brilhavam alimentados por uma fúria calculista. Tinham-no visto a forçar as amarras o tempo todo, confiantes de que eram fortes e não iriam quebrar. Mas no meio de toda a luta para o controlar ninguém foi capaz de ter a atenção necessária para ver o que caia ao chão ou quem era de facto o alvo da fúria.

E por mais resistentes que sejam as amarras, não deixam de ser tecido. Algo simples, como um gancho de cabelo podia servir para ir desmanchado, fibra por fibra todas as amarras. E foi isso que ele fez. 

No meio de toda a luta uma das enfermeiras caiu ao chão, já com vários anos de experiência ela não perdeu a compostura enquanto se libertou, nem mesmo quando ele pôs em cima dela e lhe afagou o cabelo. Quase engoliu o gancho de cabelo, mas era a única forma de o manter na sua posse. 

Tinha trabalhado durante toda a noite, linha por linha. Até que finalmente gritou pelo auxiliar.

— O que foi ? Não vê que nos outros quartos há pessoas a querer dormir?

— Amigo, eu não vejo nada que não seja o tecto ou a porta. Tirem-me daqui!

— Está mesmo doido. O senhor não sai daí sem ordens do doutor.

— Então saio sozinho.

Ainda o auxiliar não tinha preparado uma resposta e já estava a olhar espantado para o braço direito erguido, liberto das amarras da cama. Correu para o segurar e assim que o fez sentiu uma mão na nuca, não tardou muito até estar preso numa chave de braços que o estrangulava e não deixava gritar.

O corpo caiu inconsciente ao lado da cama. Com um sorriso calculista, procurou nos bolsos até encontrar um maço de cigarros, sobravam cinco e partilhavam o espaço com um isqueiro, perfeito para queimar as amarras que lhe prendiam os pés. No quarto, deixou o auxiliar inconsciente, tendo vestido o uniforme e correndo descalço e em silêncio pelos corredores até chegar ao hall. Parou, calçou-se calmamente, saiu e dirigiu-se à paragem de taxis que estava quase deserta.

— Amigo a estas horas da noite para essa zona? Aí só há escritórios ...

— Leve-me lá que eu cá me arranjo.

Chegando ao edificio, soltou um cinzeiro que tinha sido pregado ao chão e usou-o para arrombar a porta. Não havia ninguém por perto para ouvir o estrondo, nem foi preciso perder o ritmo para inserir o código que desactivava o alarme silencioso. Teria pelo menos 30 minutos até uma patrulha chegar para averiguar que tudo estava “bem”.

Subiu para o terceiro andar, arremessou o cinzeiro contra a porta e entrou. A sala estava imaculada, desde as folhas de papel aos dossiers, os lápis, as canetas e todo o material de escritorio, tudo no seu sítio e posicionado de modo estratégico para que pudesse trabalhar sem pensar em mais nada.

Sentou-se e parou a observar o seu redor.

— Que portas é que eu nunca abri? Que dossiers é que eu nunca usei?

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quadros incompletos

— Bom dia, vinha falar com o Dr. José Costa.

Disse ela a uma enfermeira que estava demasiado atarefada para desviar o olhar e responder educadamente. 

— Chamem o Dr. Costa, está a aqui a menina com quem ele quer falar!

Não se surpreendeu, já está habituada a modos rudes e pelo menos tinha sido ouvida. Esperou e passados uns minutos surgiu o Dr. José Costa. Não muito alto, de barba bem cuidada e com um olhar que acompanhado de um sorriso leve e quase constante fazia dele uma pessoa em quem qualquer paciente confiava.

— Deve ser a menina Mónica, peço desculpa por a ter feito esperar mas sabe como são as coisas por aqui. Temos sempre trabalho a mais para mãos a menos! Como está?

— Estou bem, obrigada Doutor. Mas confusa.

— Sim, claro. Eu explico tudo, siga-me por favor. Chamei-a por uma razão muito simples, não só foi a menina que chamou as autoridades como também é vizinha deste nosso hospede involuntário. Ainda hoje falei com outro senhor. O senhor Miguel, conhece?

— Não, mas continuo sem perceber porque me chamou...

— Como vê, ele agora está sedado e meio adormecido. Tive de lhe receitar quase o máximo da dosagem habitual para o acalmar. Mas nem assim conseguimos ter uma conversa completa com ele. Houve agressões, discursos desconexos e uma série de outros comportamentos violentos. Visto que não tem familiares, estamos a contactar pessoas que o conhecem para tentar perceber melhor o que se passa.

— Mas ai está sr. doutor, eu não o conheço. Cruzo-me com ele no prédio, mas nem sei como se chama.

— Isso nós já sabemos, o Sr. Miguel ajudou bastante. Contou-nos tudo o que sabia e descreveu-o como sendo uma pessoa pacifica, altruista e recatada.

— Impossível ...

— Impossível?

— Doutor, eu tenho medo dele. Por vezes, olha para mim como se me fosse fazer algum mal porque simplesmente estou ali.

— Mas alguma vez lhe fez algum mal?

— Não, mas eu evito-o. Ouvem-se todo o género de ruidos vindos do apartamento dele à noite, gritos, vidros partidos, música. Por vezes vão pessoas lá a casa, mulheres, com um aspecto um pouco estranho. 

— Estou a compreender... de facto não se enquadra nada com a descrição que temos dele até agora. Será possível que ele use estupefacientes?

— Acredito que sim, nada me espantaria nesse sentido. Mas como lhe disse, eu tenho receio, antes do incidente, cruzei-me com ele na entrada do prédio. Não tinha pressa mas quando vi que era ele, saí a correr, quase lhe dava um encontrão, só quero mesmo distância. Não lhe vai dizer que conversá-mos, pois não?

— Esteja descansada, a minha preocupação é apenas dar ao meu paciente os melhores cuidados possíveis. O que me está a dizer é apenas para ajudar ao diagnóstico.

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Jason Mraz

Geek In The Pink by Jason Mraz  
(download)

"Porque os geeks, meus caros amigos não-geeks, são tipos sérios. Interessam-se pelas coisas. Têm opiniões e sentimentos sobre os mesmos assuntos que os outros. Dizer que um geek não liga a mais nada só porque passa horas diante de um computador é tão absurdo como dizer que um tipo que se senta no sofá para ver a bola está na realidade interessado em observar o televisor a trabalhar."

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the trick to get a woman's attention...

... is not to give her any.

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acidentes

— Odeio acidentes! Já viste este trânsito?

Ele reagiu do modo mais minimalista possível, olhou para ela, sorriu, voltou a focar-se na estrada.

— E depois estes metem-se à má fila. Arriscam-se a causar mais acidentes e a atrasar ainda mais o trânsito. Se formos a ver todos os acidentes são causados por distracções parvas, desnecessárias e por pressas sem sentido. E claro, nada de bom pode vir de um acidente.

— Depende...

Ela cortou-lhe a fala.

— Depende do quê? Há acidentes, as pessoas atrasam-se, e alguns até ficam feridos! Mesmo que seja só um toque, há sempre chatices e preocupações. Papelada, seguros, dinheiro gasto em mecânicos. Não há paciência. O mundo seria muito melhor sem estes acidentes idiotas.

— Nós conhecemo-nos por acidente.

Ela parou, só se ouvia a chuva a bater no pára-brisas. Reagiu do modo mais minimalista possível: encostou-se a ele, agarrou-o pelo braço. Ele sorriu.

(hoje passei uma hora no trânsito, esta foi a cena que imaginei enquanto tentava chegar a casa)

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incompatibilidades

— Ele não é nada assim doutor. Ele é o tipo de pessoa que deixa um amigo ganhar às cartas porque sabe que tem filhos e que o Natal está próximo. O senhor doutor sabe como o Natal é dificil para alguns de nós. E como se isso não fosse bastante, ele ainda trabalha no tempo livre para a associação do bairro.

— Eu acredito em si, mas o facto é que o seu amigo foi encontrado sob o efeito de estupefacientes e tem demonstrado um comportamento bastante violento. Ainda estamos a tentar perceber o que se passou.

— Isso foi alguém que lhe quis mal, só pode ter sido!

— Fale-me mais sobre ele.

— É uma pessoa muito metódica, o escritório está sempre arrumado e ao final do dia prefere ir a pé para casa, passeia pelo bairro. Ao fim de semana trabalha na associação como lhe disse. Trata da contabilidade e de outras coisas administrativas. Sabe, ele convenceu a associação a dar-me trabalho quando eu fui despedido. Faço uns biscates para eles e mantenho o edificio cuidado.

— Enquanto esteve aqui, o seu amigo já agrediu um dos meus colegas. Deixou-o caído no chão com um nariz partido de um só golpe.

— Impossível! Ele não faz mal a ninguém. É das pessoas mais pacíficas que conheço. O doutor desculpe mas não consigo acreditar nessas coisas ... aquele que está ali não é o mesmo homem, não pode ser.

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191209

Vem comigo.

Não posso...

Podes sim. Eu mostro-te os locais secretos da cidade, o covil dos ladrões, a taberna dos cavaleiros, os jardins secretos.

Ele descobre, estás louco.

Eu deito umas gotas de valeriana no vinho, voltamos antes do amanhecer ou não voltamos de todo ....

És louco.

Eu já vi meio mundo, sem nunca sair da cidade. Descobri novos mundos em cada rua e conheci vagabundos de sangue azul felizes por não ter nada. Vem comigo e eu mostro-te.

Mas o que me mostras afinal?

Tudo o que a cidade tem de mistico e de valioso, escondido à vista desarmada e aos corações fechados. As luzes, a música que passeia pelas ruas as vozes aquecidas pelo licor e pela ginginha. Mostro-te o jardim que fica para lá das arcadas, escondido dos nobres e de outros ladrões sem honra. 

Não sei ...

Vem...

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Certamente, a música de amor mais violenta de sempre

Descapotável by Três Tristes Tigres  
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